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Aeroporto Internacional de Belém

O Aeroporto Internacional de Belém, Val de Cans, foi concebido originalmente no final dos anos 1990, a partir de um partido linear marcado por uma grande estrutura de cobertura metálica. A arquitetura do terminal estabeleceu uma presença clara na paisagem aeroportuária, com volumetria contínua, espaços públicos generosos e forte valorização da iluminação natural nos saguões de embarque e desembarque.

A cobertura sinuosa tornou-se o principal elemento de identidade do edifício, articulando escala, orientação e conforto ambiental. Associada ao uso de materiais tecnológicos, ao jardim interno e à presença de água e vegetação, a proposta original aproximou o terminal da paisagem amazônica, criando uma ambiência acolhedora e representativa para a chegada à cidade.

Em 2024, uma nova fase do aeroporto teve início com a reforma e readequação do terminal, já sob operação e com obras antecipadas para atendimento à COP30, Conferência das Partes, parte da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A intervenção partiu do respeito à arquitetura existente, preservando sua volumetria e os elementos mais reconhecíveis do partido original, ao mesmo tempo em que atualizou o edifício para novos padrões de viagem, operação e experiência do passageiro.

As intervenções externas incluem novas marquises metálicas para organizar a conexão entre o terminal e as áreas principais de pedestres, além da implantação de brises verticais nas fachadas para melhoria do conforto térmico. Essas soluções reforçam a leitura contemporânea do conjunto sem descaracterizar sua linguagem original, mantendo a cobertura, a transparência e a relação com o paisagismo como elementos estruturantes da arquitetura.

No pavimento térreo, o projeto reorganiza as operações das companhias aéreas, o manuseio de bagagens, os órgãos públicos, BVRI e as áreas comerciais. As intervenções incluem melhorias na restituição de bagagens, aduana, duty free e embarque remoto, além de uma nova circulação para conexão de passageiros em desembarque remoto, qualificando fluxos críticos sem interromper o funcionamento do terminal.

No primeiro pavimento, a readequação responde à necessidade de ampliar as áreas de filas, embarque, comércio, sanitários e salas VIP. Para isso, foram propostos avanços de mezanino sobre o saguão de desembarque, destinados ao comércio lado terra, e sobre parte do saguão de embarque, abrigando novas salas VIP do embarque doméstico.

Com a implantação de dois novos mezaninos, a reconfiguração dos fluxos e a criação de novas salas de embarque remoto, a capacidade do terminal foi ampliada de 7 milhões para 13,5 milhões de passageiros por ano.

O projeto consolida uma intervenção de alta complexidade, capaz de atualizar a infraestrutura aeroportuária sem perder a memória arquitetônica do edifício original, reforçando o papel do aeroporto como porta de entrada de Belém e da Amazônia.


Ficha Técnica
Localização Belém - PA
Cliente NOA Airports
Ano do projeto 2024
Área de projeto 26.366m²
Área de terreno 6.283.018m²
Equipe Rodrigo Marar Arquitetos Associados + Rodrigo
Biavati Arquitetos Associados: Rodrigo Marar e Rodrigo Biavati (autores); Anne Raupp, Camila Barbosa, Édio Hillesheim, Felipe Miranda, Isabella Ghiraldo, Kyle Bussinger, Lívila Pereira, Marcela Budó, Matheus Barboza, Paula Farage, Rayane Queiroz, Veridiana Goulart, Vinícius Freitas (colaboradores)

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